quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Permanente Desassossego

Foi inevitavel... Antes de dormir, resolvi folhear arbitrariamente algumas páginas do "Livro do Desassossego" do Sr. Bernardo Soares, que deixei jogado há algum tempo numa gaveta... E numa epifania me deparei com um trecho que resume toda a minha inquietude das últimas semanas:


"Tenho sido sempre um sonhador irónico, infiel, às promessas interiores. Gozei sempre, como outro e estrangeiro, as derrotas dos meus devaneios, assistente casual ao que pensei ser. Nunca dei crença àquilo em que acreditei. Enchi as mãos de areia, chamei-lhe ouro, e abri as mãos dela toda, escorrente. A frase fora a única verdade. Com a frase dita estava tudo feito; o mais era a areia que sempre fora.

Se não fosse o sonhar sempre, o viver num perpétuo alheamento, poderia, de bom grado, chamar-me um realista, isto é, um indivíduo para quem o mundo exterior é uma nação independente. Mas prefiro não me dar nome, ser o que sou com uma certa obscuridade e ter comigo a malícia de me não saber prever.

Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espectáculo que posso. Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis."

sábado, 23 de outubro de 2010

As Tentações de Santo Antão


Como explicar uma semana na qual as pequenas coisas do dia-a-dia parecem querer te dizer alguma coisa?
É a música que toca aleatorianente no iPod expressando o seu sentimento naquele exato momento; é o telefone ousando adivinhar que você gostaria de falar com aquela pessoa; são os fatos que se acumulam em um determinado dia 11...
E o engraçado é: uma pessoa que se diz extremamente cética se deparar com tudo isso e se perguntar, "como assim???".
Talvez, eu nunca saiba o significado de cada um desses acontecimentos... Talvez, seja apenas a ansiedade aflorada... Mas que há um certo misticismo nisso tudo... Isso há!